LEMBRANÇAS DA TERRA ARDENTE
Sinopse O jantar havia terminado e o fabuloso anoitecer africano já se anunciava. A lâmpada, suspensa do tejadilho, tremeluzia confusa, sem saber se ainda era dia ou se já começara a noite. A lancha permanecia quieta e as amarras estavam folgadas, confiando na brandura do mar. No areal, as palmeiras recortavam-se em silhueta no azul dourado de um Atlântico, também ele testemunha intemporal da audácia de um povo descendente dos lusitanos, e um retardatário bando de pássaros voava, pesado, rumo ao recolhimento nocturno. Bubaque, àquela hora, aconchegava-se, embalada pela temperatura agradável do crepúsculo africano. No pequeno cais, um grupo de crianças esfomeadas esperava, envergonhado, pela ordem de entrar a bordo, para vasculhar, na mesa, a refeição confeccionada com os sobejos, rejeitados mais por causa dos nossos olhos e menos do que pela nossa barriga. Estrategicamente, deixei de lado uns pedaços de carne e esparguete intocados, não para lhes amenizar a fome mas pa...